quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Duquesa



Duquesa

De: Suely Schraner 
Para: Duquesa, da avenida Paulista 



Eu sou quem inspira cartaz
Um cartaz de amizade

Você é quem compra na loja de grifes
Na famosa avenida paulista

O principal centro financeiro 
Daqui debaixo do equador

Meu céu,  a marquise
Ao lado,  a escadaria
- meu palácio de neon

A sociedade emblemática

No asfalto, ruídos vivos
Rua que não dorme jamais 

No meu sono
Ouvidos alertas
Passos , buzinas
Sina
A vigília do porvir

Partilhar olhares, nossa miséria 
Pobres ricos, ricos pobres

Duque (dux), o que me conduz
Duquesa, a mulher do duque
Aristocracia de asfalto

Ele e eu 
Eu e ele

Engulo o latido

Vigília do porvir
Sentinela do nada

Nos reconhecemos
Eu e ele
Ele e eu






























domingo, 17 de dezembro de 2017

É Natal

Natal Moderno
Foto Suely Schraner

Ruas  - Formigueiro humano

25 de Março – Shopping a céu aberto

Clichês


Árvores vestidas de cintilantes lampadinhas

LEDS


As gentes – Os corres

As compras – as trombadas

Vida que vai

Vida que vem

Vamos

A gana de consumir

A ânsia de se entupir

Desejos

As mídias

Os irmãos deitados. Enrolados.

Encaixotados


As águas

Correntezas. Afogamentos

De carro e de gente


Os bichos

Tudo ao léu

As fomes

Disso e daquilo


Nosso século

Os cristos do cotidiano

Espelhos daquele que

Nasceu num pasto

Dormiu num cocho
E era de uma família de sem tetos
(Suely Schraner)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

#feminicídio#leimariadapenha

Hoje, a Lei Maria da Penha completa 11 anos...





Tiro de misericórdia
Por:Suely Schraner
 
Fé naquelas coxas fatigadas da faxina
Coxas que aplacam suas raivas
 
Frustrações
 
Senhor absoluto daquelas pernas
Coração na goela
 
Rios e córregos.
Regos, fendas
Vulva
 
Os meios. As beiradas.
Nossos veios
 
Origem do mundo
 
Assim ele a via
Se sentia
Pro-pri-e-tá-rio
 
“Çê tá querendo me largar? Tem outro, né? Agora cê vai ver...
Tem filho pra criar? Problema seu. Devia ter pensado antes.”
 
Tarde da noite pula o portão. Arromba janela do quarto.
Arrasta-a para a sala.
Chutes, pescoções, palavrões. Muitos.
Rasga a roupa, rasga alma.
 
Amor?
 
Rasga tudo.
 
Estatelada no chão. Esfacelada na vida.
Vilipendiada.
 
Em cruz como um cristo do cotidiano,
não fosse as pernas
escancaradas no chão frio como a noite escura e fria.
 
Na vagina, o tiro de misericórdia.
 
Matou. Ficou por isso mesmo.
Zanzando por aí. Mesmo sorriso de escárnio. Pra todo mundo ver.
 
Filho dela espreitara tudo
o vão, a porta do quarto.
 
Depois da fuga, o menino sai
Abraça a mãe sem vida.
 
Mãos postas em oração.
Promete:
“Quando eu crescer mãe, eu mato ele”.
(baseado em fatos reais)

Pano de prato e texto:


terça-feira, 14 de março de 2017

Peixes

escultura "peixes" da artista Angela Schoendorf



Nado em delicadezas
talento e arte

A casa
A porta

Tudo espoca  
no ar, na terra, no mar

Braçadas de poesia 
em mergulho de carinho

Imensidão

Um gesto de delicadeza 
merece delicadeza

A porta 
trans-porta-me

(Suely  Schraner -2017)

segunda-feira, 13 de março de 2017

Da janela






Da janela

Vida passa
Olhar navega 
em nuvens lamurientas
Pássaros pousam no olhar de chaminés atônitas

Vida voa 
Veloz na alegria 
No vagar da agonia

Da janela  da alma,  
a noite beija a lua, afaga as folhas
Árvores acariciam  águas da represa
Alvorada
Na janela do coração
Lampejos  de vida
Esparramar de  sol 
Em retinas velhas de guerra

Vida que segue
colibri de outono 
existências

No cantar da chuva doce 
e no estalar de trovões
mansidão do orvalho,

Alvorada
Avistar de maritacas 
trapezistas do amor

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Argila







Argila


Nesse vácuo de si mesmo

Plenitude de talento

Em consciência de grupo

Unindo os elementos

Amalgamar, transformar


A mistura dessa pressa

No vagar, mãos frenéticas


Em fornalha abrasadora,

verão de refrigério

Moldar, renovar, revolver


Deserto de agonia

Renascimento da arte,

no cuidado da  argila


Húmus em primórdios tempos

Desfechos arquitetônicos


Acelerando partículas,

o que antes era velado
,
emerge em arte latente


Na gênese cinzelada

O barro abranda existência


Transfigura permanência


Saber artístico

Enleva-se