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| Avenida São João- SP |
quinta-feira, 5 de abril de 2018
domingo, 25 de março de 2018
Frida
Os ruídos. Os motores. O pulso da vida.
Mecânica.
O existir na oficina.
Na estação dos calores, entre mesas, cadeiras.
As gentes.
Latidos em backing vocal.
Fim de dia. Estação dos calores.
Noite de lua.
Carnaval.
No recitar e nas artes, a graça é canina.
Um laço ata-se ao pescoço como a fidelidade e amizade ata-se ao dono.
Abana o rabo com o coração. Um rabo feliz. De criança festiva.
E salta e corre. Aos pulos, ziguezagueando pelo salão.
Entre humanos, tantos.
Um afago aqui outro ali.
Tátil aconchego.
Senhora do sofá da casa.
Paladar de não ração. O pulso do querer.
Focinho empinado. O faro da descoberta, à mil.
Não tem um dono. Ele é que a tem.
Isso é Clamarte.
Morre
Morre
De:Suely Schraner
Para:Carlos Heitor Cony (1926-2017)
Ventre que abriga onde sonhos andaram.
Memórias que acalentam quimeras.
Histórias que engrandecem as mentes inquietas.
Chegadas.
Onde havia calmaria, desassossego.
Silêncios ruidosos em almas emudecidas.
Vale a vida para morrer?
Substância dos que se vão, que aduba e aquece.
Vem a chuva, a tempestade. Travessia de nuances mil.
Chega a hora do adeus. Despedida sem pedaços. Refrigério.
Claras lembranças ensombradas.
Liberdade de expressão.
Os presentes. Os passados.
Imortais.
Abre-se. Desabrocha-se. Cresce-se. Amadure-se e morre.
A vida consumindo o que a alimenta.
Finitude revigora a crônica do agora.
A ampulheta das horas.
Ganha-ganha. Perde-perde.
Prontidão dos segundos.
Minutos, horas,
vai embora.
Ano novo, vida nova.
Travessia. As margens de cá, as margens de lá.
Sem palavras.
As matérias da memória.
Ressurreição. Um quase aqui. Um acolá.
Sigamos.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
Duquesa
Duquesa
De: Suely Schraner
Para: Duquesa, da avenida Paulista
Eu sou quem inspira cartaz
Um cartaz de amizade
Você é quem compra na loja de grifes
Na famosa avenida paulista
O principal centro financeiro
Daqui debaixo do equador
Meu céu, a marquise
Ao lado, a escadaria
- meu palácio de neon
A sociedade emblemática
No asfalto, ruídos vivos
Rua que não dorme jamais
No meu sono
Ouvidos alertas
Passos , buzinas
Sina
A vigília do porvir
Partilhar olhares, nossa miséria
Pobres ricos, ricos pobres
Duque (dux), o que me conduz
Duquesa, a mulher do duque
Aristocracia de asfalto
Ele e eu
Eu e ele
Engulo o latido
Vigília do porvir
Sentinela do nada
Nos reconhecemos
Eu e ele
Ele e eu
domingo, 17 de dezembro de 2017
É Natal
Natal Moderno
Ruas - Formigueiro humano
25 de Março – Shopping a céu aberto
Clichês
Árvores vestidas de cintilantes lampadinhas
LEDS
As gentes – Os corres
As compras – as trombadas
Vida que vai
Vida que vem
Vamos
A gana de consumir
A ânsia de se entupir
Desejos
As mídias
Os irmãos deitados. Enrolados.
Encaixotados
As águas
Correntezas. Afogamentos
De carro e de gente
Os bichos
Tudo ao léu
As fomes
Disso e daquilo
Nosso século
Os cristos do cotidiano
Espelhos daquele que
Nasceu num pasto
Dormiu num cocho
E era de uma família de sem tetos
(Suely Schraner)
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
#feminicídio#leimariadapenha
Hoje, a Lei Maria da Penha completa 11 anos...
Tiro de misericórdia
Por:Suely Schraner
Fé naquelas coxas fatigadas da faxina
Coxas que aplacam suas raivas
Frustrações
Senhor absoluto daquelas pernas
Coração na goela
Rios e córregos.
Regos, fendas
Vulva
Os meios. As beiradas.
Nossos veios
Origem do mundo
Assim ele a via
Se sentia
Pro-pri-e-tá-rio
“Çê tá querendo me largar? Tem outro, né? Agora cê vai ver...
Tem filho pra criar? Problema seu. Devia ter pensado antes.”
Tarde da noite pula o portão. Arromba janela do quarto.
Arrasta-a para a sala.
Chutes, pescoções, palavrões. Muitos.
Rasga a roupa, rasga alma.
Amor?
Rasga tudo.
Estatelada no chão. Esfacelada na vida.
Vilipendiada.
Em cruz como um cristo do cotidiano,
não fosse as pernas
escancaradas no chão frio como a noite escura e fria.
Na vagina, o tiro de misericórdia.
Matou. Ficou por isso mesmo.
Zanzando por aí. Mesmo sorriso de escárnio. Pra todo mundo ver.
Filho dela espreitara tudo
o vão, a porta do quarto.
Depois da fuga, o menino sai
Abraça a mãe sem vida.
Mãos postas em oração.
Promete:
“Quando eu crescer mãe, eu mato ele”.
(baseado em fatos reais)
Pano de prato e texto:
terça-feira, 25 de julho de 2017
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