terça-feira, 18 de outubro de 2016

Laercio

"Por não estares aqui
Estarás
Ainda que poesia"
(Carlos André)



Homem-tração
Ele e a  carroça 
Ela e o cão
Livres, soltos
Unha e carne
Carne e unha

Moradia? Onde deixam

Em tempos ruins,
conjugar com rato  
em tubulação do córrego

A água que a gente bebe,
carrega um tanto deles 

espasmos do existir  

Vasculhar calçadas
Rua pra quê te quero


Viração. 
Vira arte
mãos calejadas
gotejando poesia 
em praça pública. 

domingo, 2 de outubro de 2016

No espanto do sol

Botões eretos

Sabiá-laranjeira 
Gorjeios 
Apetites vis
Brotos de orquídeas devorados

Desejos num crescente
Latente
Musicais ais

Verdes, musgos, pedras
Concretas coisas acordadas

No espanto de sol primaveril
Sensações 
Encantos mil
(Suely Schraner-02/09/2016)



segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Coraçāo - casa da coragem





O dentro está fora 
Bate, rebate, late
Arde enquanto demora
Pulsa/ Repulsa

Coisas empilhadas
Recalques
A culpa paralisante 

Metade é o quanto vale

Rasteiras que a vida dá 
Num átimo
Bunda no chão 


Coração - casa da coragem 


Fora mais que dentro
Peito -fera
Salta ciclos

Escanear a vergonha
Chorar significados

De vivas cores
Parir
Ressignificar 

Enaltecer temores 
De dorsais curvas
Do tempo
Antropofágicas vias

De prisão e rótulos
Auto-sabotagem

Experiências vãs
Mãos vadias
Crias

A paixão tem seus limites? Insana? Sana?
A poesia cura? Tem bons antecedentes? RG? CPF?
A ciência reconhece?
Desce dos andaimes do silenciamento?

Escrever não requer juízo
Salve-se quem puder



Fescenino



Fescenino 

Entre gemidos, suspiros
O ar penetra e sai
Penetra e sai
Gorjeia em minh'alma

Transmuta-se

Tremores reversos

Alinhavos, conchavos
Nexus, Plexus

Decúbito ventral
Decúbito dorsal

Respiro
(Suely Schraner- 19/09/2016)


Pintura Shidon

domingo, 21 de agosto de 2016

A rua que me vê ou eu que vejo a rua?




A rua que me vê
Chora significados
Ressignifica ruídos
Reaviva cores, 
acordando amores 

Emudece o frio
Transmuta brios
Regela pés
Endireita espinhas,
de dorsais curvas

Do tempo,
antropofágicas vias

Do âmago da poesia
Voou papéis, folhas

Mãos vadias
pétreas,  frias



quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Sagrado


Fotografia Suely Schraner




“ A fé não é crer no que não vimos, mas é criar o que não vemos” 
–Miguel Unamuno, filósofo espanhol (1864-1936)


Para suportar o nada, 
o não e também o nunca
Louvo a tarde com a brisa
Louvo a fala como crise
Louvo a planta-poesia
Louvo louvar esse dia

De estar e conhecer
Ver, sentir, acontecer
Na potência de uma ideia 
Vitalidade e instinto

Comer, beber e viver

Louvo o crepúsculo morrer
Pra parir um novo dia
O vinho à ferver sinapses
Embaralhando agonia

Louvo o fulgor de uma estrela
Cruzando a noite vadia
A potência da memória 
No estertor da elegia 

Sagrado:

válvula de escape

Esperança, nostalgia

Fotografia Suely Schraner

domingo, 31 de julho de 2016

O uivo ecoou



O uivo ecoou  





nos segundos trôpegos

nas duras pisadas

levitados  urros



do centro da mesa redonda

livros -

montanhas



idéias escaladas

folheadas

de páginas, libertas falas



olhares, ousadias caras

chilreios de pássaros

sob sol sagaz



poesia nua e crua



nem cânones

nem opressão



na segunda fui feliz

pulsação na trilha

trajeto

                       beatitude