Da
janela do carro, a caminho de Parelheiros, no Bairro de São José, vejo um parque
de diversões.
Brinquedos
velhos, enferrujados, empoeirados.
Da poeira da
memória emerge o Parque de Diversões Imperial. Ficava próximo ao Banespa e
tinha um córrego ao lado. O ponto de ônibus era bem em frente.
O Ato
Institucional Nº 5, dava o tom da época e a 10ª Bienal de São Paulo, ficou
conhecida como a “Bienal do Boicote”. Isto porque artistas de diversas
nacionalidades recusaram-se a participar como forma de protesto.
Eu era a mais
velha de oito irmãos e, como trabalhava, podia me dar ao luxo de levá-los lá, vez
por outra. Com qualquer dois cruzeiros, lá estávamos na roda gigante. Roda que
me remete à estrofe da música do Gilberto Gil:
“Foi fazer
no domingo um passeio no parque/Lá perto da Boca do Rio/Foi no parque que ele
avistou Juliana /Foi que ele viu/Foi que ele viu Juliana na roda com João /
Uma rosa e um sorvete na mão/Juliana seu sonho, uma ilusão/Juliana e o amigo João
O espinho da rosa feriu Zé/E o sorvete gelou seu coração”.
Uma rosa e um sorvete na mão/Juliana seu sonho, uma ilusão/Juliana e o amigo João
O espinho da rosa feriu Zé/E o sorvete gelou seu coração”.
Tobogã também fazia muito sucesso. A gente sentava num saco de estopa lá
no alto do escorregador. Uma das crianças entre as pernas, para economizar
viagem. Com um forte empurrão do operador, lá íamos nós ladeira abaixo, sem
freio e sem buzina. Cara pálida e perna bamba era a indicação que tínhamos
escapado ilesos. Ufa!
Paramos de freqüentar o tobogã quando surgiu o boato que estavam
colocando "gilete" no saco. Ai,ai.
As crianças adoravam e hoje adultos, ainda me agradecem pelas boas
lembranças.
Meu namorado na época, sempre ia comigo para ajudar a cuidar da
criançada. Uma vez, com aquela “escadinha de crianças”, estávamos no ponto,
esperando o ônibus.
Passou um caminhão "pau-de-arara" e da caçamba gritaram: “Aí hein,
baixinho”?
E ele: “Tá vendo o que você
me faz passar? Tão pensando que é tudo filho meu”.
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